Os ataques de Distributed Denial of Service (DDoS) entraram definitivamente em um novo patamar. O DDoS Threat Report 2025 Q4, publicado pela Cloudflare, revela números históricos, campanhas sem precedentes e uma mudança clara no perfil dos alvos e das infraestruturas exploradas por atacantes.
Para empresas que dependem de disponibilidade digital especialmente organizações que operam serviços críticos, aplicações online e infraestruturas expostas à Internet o relatório traz um alerta direto: os modelos tradicionais de defesa já não acompanham a escala e a sofisticação dos ataques atuais.
Neste artigo, a Iceberg Security analisa os principais dados do relatório, contextualiza os riscos para o cenário corporativo e explica o que muda na estratégia de defesa contra DDoS em 2025.

Visão geral do cenário DDoS em 2025
O ano de 2025 registrou um crescimento explosivo nos ataques DDoS em escala global. Segundo a Cloudflare, 47,1 milhões de ataques foram mitigados ao longo do ano, representando um aumento de 121% em relação a 2024.
Na prática, isso significa que, em média, 5.376 ataques DDoS foram bloqueados por hora, um volume que evidencia a industrialização desse tipo de ameaça.
Os dados também mostram que o crescimento não foi apenas quantitativo, mas qualitativo: os ataques ficaram maiores, mais rápidos e mais difíceis de conter, especialmente no nível de rede.
Ataques DDoS de camada de rede triplicam
O destaque mais crítico do relatório é o avanço dos ataques DDoS de camada de rede (Layer 3 e 4). Em 2025, esse tipo de ataque mais que triplicou, saltando de 11,4 milhões em 2024 para 34,4 milhões de incidentes mitigados.
Esses ataques exploram protocolos fundamentais da Internet como TCP, UDP e ICMP e têm como objetivo saturar links, roteadores e firewalls, tornando serviços inteiramente indisponíveis.
Um ponto de atenção é que 13,5 milhões desses ataques tiveram como alvo infraestruturas críticas globais, incluindo provedores de conectividade e backbone de Internet, o que amplia o impacto potencial para cadeias inteiras de negócios.
“The Night Before Christmas”: a campanha que quebrou recordes
O quarto trimestre de 2025 ficou marcado pela campanha batizada de “The Night Before Christmas”, conduzida pela botnet Aisuru-Kimwolf.
Essa campanha lançou ataques hipervolumétricos de camada de aplicação (HTTP), superando a marca de 200 milhões de requisições por segundo (RPS) um nível capaz de derrubar a maioria das soluções legadas de mitigação.
O que torna essa botnet diferente?
A Aisuru-Kimwolf é composta majoritariamente por Android TVs infectadas, totalizando entre 1 e 4 milhões de dispositivos comprometidos. Esse detalhe evidencia uma tendência preocupante: a exploração massiva de dispositivos IoT e smart devices como armas de ataque distribuído.
Durante a campanha, foram registrados:
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Ataques médios de 4 Tbps
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Picos de até 24 Tbps
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Máximo de 205 milhões de requisições HTTP por segundo
Apesar da escala, todos os ataques foram detectados e mitigados automaticamente.
Ataques hipervolumétricos: o novo normal
Se antes ataques acima de 1 Tbps eram considerados excepcionais, em 2025 eles passaram a ser cada vez mais frequentes.
O relatório aponta que:
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Ataques hipervolumétricos cresceram 40% no Q4 de 2025
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O tamanho dos ataques aumentou mais de 700% ao longo do ano
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Um ataque atingiu o recorde histórico de 31,4 Tbps, ainda que com duração de apenas 35 segundos
Esse padrão demonstra que não é mais necessário manter um ataque por horas para causar impacto significativo. Poucos segundos, em volumes extremos, já são suficientes para interromper operações críticas.
Setores mais atacados: por que eles estão na mira?
O setor mais atingido em 2025 foi o de Telecomunicações, Provedores de Serviços e Carriers, consolidando-se como o principal alvo global de DDoS.
Na sequência aparecem:
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Tecnologia da Informação e Serviços
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Gambling & Casinos
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Games
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Software e Serviços Empresariais
Esses setores compartilham características comuns:
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Atuam como infraestrutura crítica
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Possuem alta dependência de disponibilidade e baixa tolerância à latência
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Gerenciam grandes volumes de tráfego legítimo, o que dificulta a distinção entre uso normal e ataque
Países mais atacados e principais origens dos ataques
Entre os países mais atacados no Q4 de 2025, destacam-se:
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China
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Alemanha
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Brasil
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Estados Unidos
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Hong Kong
O Reino Unido chamou atenção ao subir 36 posições, tornando-se o sexto país mais atacado do mundo no período.
Do lado das origens dos ataques, o relatório revela um cenário igualmente preocupante: infraestruturas legítimas estão sendo amplamente abusadas.
As principais fontes incluem:
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Plataformas de computação em nuvem
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Grandes provedores de serviços cloud
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Operadoras de telecomunicações da região Ásia-Pacífico
Isso reforça a dificuldade de bloqueio baseado apenas em geolocalização ou ASN.
O que muda na estratégia de defesa contra DDoS
Os dados do relatório deixam claro que abordagens tradicionais não são mais suficientes. Soluções baseadas apenas em:
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Appliances on‑premises
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Scrubbing centers sob demanda
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Mitigações manuais ou reativas
não conseguem responder à velocidade e à escala dos ataques modernos.
A defesa eficaz contra DDoS em 2025 exige:
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Mitigação automática e sempre ativa
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Capacidade de absorção em escala global
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Visibilidade contínua sobre tráfego e comportamento anômalo
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Integração entre camadas de rede e aplicação
O DDoS Threat Report 2025 Q4 deixa evidente que os ataques distribuídos de negação de serviço evoluíram para um problema estratégico de negócio, não apenas técnico. O crescimento acelerado no volume, na frequência e na sofisticação dos ataques demonstra que a indisponibilidade digital pode ocorrer em segundos e com impactos desproporcionais.
Organizações que dependem de conectividade, aplicações online e serviços críticos precisam tratar DDoS como parte integrante da gestão de risco cibernético, adotando modelos de defesa contínuos, automatizados e alinhados à criticidade do negócio.
Ignorar esse cenário significa aceitar interrupções, perda de receita, quebra de SLA e danos reputacionais como um custo operacional inevitável algo cada vez menos aceitável em mercados competitivos.