O uso de inteligência artificial por cibercriminosos deixou de ser tendência e passou a ser realidade operacional. Pesquisadores da empresa de segurança cibernética Swarmy identificaram recentemente uma plataforma chamada E-Fraud, desenvolvida para validar cartões de crédito em larga escala e acelerar golpes financeiros online.

O caso evidencia como a IA generativa está sendo explorada no ecossistema do cibercrime, elevando o nível de sofisticação das fraudes e ampliando os desafios para empresas, instituições financeiras e times de segurança.

Imagem gerada por inteligência artificial simulando um hacker segurando um cartão de crédito fraudado.

O que é o E-Fraud?

O E-Fraud funciona como um hub de serviços criminosos, oferecendo uma plataforma estruturada, com APIs automatizadas, para verificar a validade de números de cartões de crédito obtidos ilegalmente.

A proposta é simples: testar rapidamente grandes volumes de cartões, identificando quais estão ativos e aptos para uso em compras não autorizadas, reduzindo falhas e aumentando a taxa de sucesso dos golpes.

Segundo os pesquisadores, trata-se de uma operação profissionalizada, com modelo de negócios, ranking de usuários e até estratégias de marketing.

Como a plataforma funciona na prática?

A análise técnica aponta que o E-Fraud utiliza uma combinação de automação, integração com meios de pagamento e recursos baseados em IA para viabilizar as fraudes:

  • APIs automatizadas permitem a validação em massa de números de cartões;

  • A infraestrutura está hospedada em um IP associado a um provedor com sede nos Estados Unidos;

  • integração direta com gateways de pagamento conhecidos, otimizando os testes;

  • O sistema oferece geração de QR Code dinâmico via Pix, usando o domínio santsbank.com;

  • Os valores obtidos podem ser direcionados para uma empresa registrada em São Paulo, dificultando o rastreamento financeiro.

Esse conjunto de recursos reduz drasticamente o tempo entre o vazamento dos dados e a monetização do golpe.

Modelo de negócio: fraude como serviço (FaaS)

O E-Fraud adota claramente o modelo de Fraud as a Service (FaaS). O acesso à plataforma é vendido por meio de créditos:

  • Planos entre R$ 100 e R$ 4.000;

  • O pacote básico oferece 100 créditos;

  • O plano mais caro inclui até 4.000 créditos para validações.

Além disso, a plataforma mantém um ranking de performance dos usuários, incentivando o uso contínuo. Alguns operadores já ultrapassaram 250 cartões aprovados, segundo a Swarmy.

Esse tipo de gamificação é comum em ecossistemas criminosos e reforça o caráter organizado da operação.

IA além da fraude: marketing e credibilidade falsa

A inteligência artificial não é usada apenas na validação dos cartões. Os pesquisadores identificaram indícios de IA também em:

  • Design da plataforma;

  • Elementos visuais e estruturais do site;

  • Vídeo de divulgação com síntese de voz por IA, com entonação profissional.

Essa estratégia cria uma aparência de legitimidade, explorando técnicas avançadas de marketing digital para atrair novos usuários e reduzir a percepção de risco.

Quais são os riscos para empresas e usuários?

O caso E-Fraud reforça alguns pontos críticos para organizações:

  • Vazamentos de dados financeiros têm impacto imediato e monetizável;

  • A IA reduz drasticamente o tempo de exploração após um incidente;

  • Fraudes se tornam mais escaláveis, automatizadas e difíceis de detectar;

  • Controles tradicionais podem não ser suficientes sem monitoramento contínuo.

Empresas que não possuem visibilidade ativa sobre seus ambientes, aplicações e APIs tendem a identificar o problema apenas quando o prejuízo já ocorreu.

Como se proteger desse tipo de ameaça?

Diante da profissionalização do cibercrime, a defesa precisa evoluir no mesmo ritmo. Algumas medidas essenciais incluem:

  • Monitoramento contínuo de vulnerabilidades e exposições;

  • Avaliação de riscos em aplicações web, APIs e integrações financeiras;

  • Detecção precoce de comportamentos anômalos;

  • Programas de segurança focados em redução de superfície de ataque, não apenas conformidade.

O E-Fraud é mais um exemplo claro de que a inteligência artificial já faz parte do arsenal do cibercrime. Plataformas estruturadas, automação avançada e modelos de negócio bem definidos indicam que fraudes financeiras continuarão evoluindo.

Para empresas, a mensagem é direta: esperar por um incidente não é mais uma opção. A prevenção precisa ser contínua, inteligente e orientada a risco real.

 

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