O que motivou o processo contra o Google Assistente
Segundo a ação judicial, o Google Assistente, presente em dispositivos Android era ativado não apenas pelos comandos “Ok, Google” ou “Hey, Google”, mas também por palavras semelhantes ou ruídos, os chamados falsos acionamentos.
A partir disso, o sistema:
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Gravava conversas privadas sem o conhecimento do usuário;
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Armazenava esses áudios nos servidores do Google;
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Utilizava as informações para análise e direcionamento de publicidade, conforme alegado no processo;
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Operava sem consentimento explícito, violando expectativas básicas de privacidade.
O acordo, firmado em um tribunal da Califórnia, ainda depende de aprovação judicial e se aplica a usuários afetados desde 18 de maio de 2016.

O Google admitiu falhas?
Não oficialmente.Durante o processo, o Google negou irregularidades no funcionamento do Google Assistente, mas optou pelo acordo financeiro para encerrar o caso e mitigar riscos jurídicos e reputacionais.
Esse tipo de desfecho é comum em ações envolvendo grandes volumes de dados e privacidade, onde o impacto de um julgamento pode ser maior do que o custo do acordo.
Casos semelhantes reforçam um padrão de risco
O episódio não é isolado. Em 2025, a Apple pagou US$ 95 milhões para encerrar acusações semelhantes envolvendo a Siri, após usuários alegarem que conversas eram ouvidas sem autorização.
Esses casos evidenciam um problema recorrente: assistentes de voz e soluções baseadas em IA podem se tornar vetores de violação de privacidade quando não há controles claros e transparência adequada.
Riscos de segurança e privacidade envolvidos
Do ponto de vista de segurança da informação, esse tipo de incidente levanta preocupações importantes:
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Coleta excessiva de dados sensíveis;
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Armazenamento de áudios com informações pessoais ou estratégicas;
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Uso de dados sem base legal ou consentimento;
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Exposição a sanções regulatórias (LGPD, GDPR, CCPA);
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Danos à confiança e à reputação da marca.
Em ambientes corporativos, o risco é ainda maior quando dispositivos com assistentes de voz são utilizados sem políticas claras ou monitoramento adequado.
O que empresas podem aprender com esse caso
Casos como o do Google Assistente reforçam que privacidade não é um detalhe técnico, mas um pilar de governança e segurança digital.
Boas práticas incluem:
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Revisar permissões de microfone e assistentes de voz em dispositivos corporativos;
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Definir políticas claras de uso de dispositivos pessoais (BYOD);
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Avaliar riscos de soluções baseadas em voz e IA;
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Monitorar continuamente exposições e configurações inseguras;
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Garantir aderência às legislações de proteção de dados.
Segurança eficaz exige visibilidade contínua, processos bem definidos e gestão de riscos baseada em evidências.
O acordo de US$ 68 milhões mostra que até gigantes da tecnologia estão sujeitos a falhas com impactos reais. Em um cenário cada vez mais orientado por IA, automação e coleta massiva de dados, ignorar riscos de privacidade pode gerar consequências financeiras, legais e reputacionais severas.
A pergunta não é se existem riscos ocultos no seu ambiente digital, mas se sua organização consegue identificá-los antes que se tornem incidentes.